Terça-feira, Setembro 08, 2009

Heartbeats- Jose Gonzalez

One night to be confused
One night to speed up truth
We had a promise paid
Four hands and then away

Both under influence
We had a divine sense
To know what to say
Mind is a razor blade

To call for hands of above
to lean on
Wouldn't be good enough
for me, no

One night of magic rush
The start a simple touch
One night to push and scream
And then relief

Ten days of perfect tunes
The colors red and blue
We had a promise made
We were in love

To call for hands of above
to lean on
Wouldn't be good enough
for me, no

To call for hands of above
to lean on
Wouldn't be good enough

And you, you knew the hand of the devil
And you, kept us awake with wolves teeth
Sharing different heartbeats
In one night

To call for hands of above
to lean on
Wouldn't be good enough
for me, no

To call for hands of above
to lean on
Wouldn't be good enough

Hoje transbordo angústia. Uma inquietude que emerge inesperada, depois de prolongada bonança. Não sei o que lhe chamar. Dou voltas sobre mim mesmo em busca de palavras e imagens para a descrever. Não sei se medo do exigente período que me aguarda. Se medo de não querer para mim aquilo que durante tanto tempo almejei mas só agora começo a concretizar. De me confrontar com a prova dos nove face a tudo o que prometi a mim mesmo e aos outros. Face a tudo aquilo que diziam que prometia, às expectativas que se criaram, que agora temo não satisfazer. Medo de ver o mundo real, adulto, a bater-me à porta, quando tantas fantasias permanecem por realizar. Medo de a minha motivação não ser tão grande que me permita realizar tudo aquilo com que me comprometi. Estas são explicações que me seriam relativamente confortáveis. Bem mais penosas são possibilidades alternativas... A de que esteja a digerir uma eventual quase desilusão, cujo desfecho depende apenas da minha capacidade de acreditar na palavra de alguém de quem gosto tanto, que tanto admirei, mas cujos actos e palavras desvendados permanecem tão suspeitos... Medo de ver tornados realidade os terrores nascidos de um enorme susto, rescaldo de um atentado a si mesmo cometido por outra pessoa que sempre admirei e por quem nutro um enorme amor que nem sempre sei ao certo manifestar. Medo de ter mais saudades que me permito aceitar de um grande amor que podia ter sido. Medo de ter medo destas saudades e me estar a agarrar a outras ilusões de quase paixões. É muito raro dar por mim a ter medo. Mas hoje trago-o à flor da pele, e sinto-lhe o travo amargo cada vez que lambo os lábios e engulo em seco. Vulnerável é um adjectivo que raramente uso para me descrever, mas é aquele que hoje levo para a cama comigo. Na esperança que os pesadelos tenham sido uma excepção, e não uma tendência.

Quinta-feira, Setembro 03, 2009

9 meses
Tempo para gerar um filho, por gerar
Tempo para realizar sonhos, em realização
Tempo para amar, desamar, e voltar a baralhar
Tempo para cometer erros repetidos, e outros que faltavam à colecção
Tempo para mudar de casa, desmudar, voltar a mudar e ficar
Tempo para perder tanto tempo que não recupero
Tempo para pedir ao tempo que passe mais devagar
Tempo para gozar o passei enquanto espero
Por chegar a tudo aquilo que almejei

Tempo para me arrepender
Tempo para constatar o que ainda me dá prazer
Tempo para retomar paixões antigas
Tempo para trocar namoradas por amigas
Tempo para desfiar histórias velhas, retocadas
Tempo para bater a portas, janelas, a esperanças desmesuradas
Tempo para me desiludir, mandar com os cornos à parede
Tempo para encher o peito de ar e me pôr de pé
Tempo para voltar a ser o que sou
Sem ainda saber bem o que isso é.

Tempo, tempo, tempo

Foda-se, 9 meses é muito tempo

Quinta-feira, Dezembro 18, 2008

Relâmpago

Não me deixas dormir. Cada vez que se cria a ilusão que me deixaste entregue ao sossego, eis que reapareces, qual relâmpago, e tornas a iluminar e encher a minha cabeça. Como relâmpago entraste na minha vida, nesse clarão intolerável que te seguiu para dentro da sala onde nos conhecemos, que me fere os olhos mas do qual eles não se conseguem desviar. Como relâmpago tomaste para ti, subitamente, uma parte da minha vida e imaginação. Fulminaste-me sem o mais pequeno aviso, e deixaste-me no doloroso deleite de te sentir percorrer tudo o que sou, sabendo que talvez nunca te possa vir a ter por tanto tempo quanto gostaria. Como relâmpago, deixaste o trovão ensurdecedor no teu encalço, sem nunca o levares contigo. Ficou para trás, dentro de mim, onde até agora ecoa e me prende indefinidamente na ânsia de ti. Não me deixas dormir. Ainda agora o sono me embalava, e o quente da cama prometia prazeres que só o descanso proporciona. Não durou. À mínima distracção, e ali estás outra vez. Como relâmpago, queimado na minha retina, na minha memória. Passas lá tanto tempo, que o pouco tempo que passaste realmente comigo parece eternizar-se até não conceber ter existido sem te ter sentido. Como relâmpago, vieste e foste sem nunca te ter como queria. Agora, como relâmpago vou eu, galgando nuvens e horas até chegar a ti. Ou faço de mim agora pára-raios, e como pára-raios faço-me à estrada na esperança de te apanhar como minha, nem que seja por um pouco. Daqui por um dia já faltará pouco para te reencontrar. Mal posso esperar.

Terça-feira, Abril 29, 2008

Dica util para mulheres nr 1:

Se forem a Austria, facam o que fizerem, NAO se aproximem de caves!

Terça-feira, Abril 15, 2008

Houve um tempo em que fomos os maiores. Percorriamos salas de peito feito, como se fossemos donos do sitio. Iamo-nos embora ao fim de 20 minutos como se nao tivesse nada a ver connosco. Trancavamos na suoosta sede de um suposto orgao de gestao e faziamos chamadas anonimas a torto e a direito. Mijavamo-nos a rir. Sentavamo-nos a volta de uma mesa e bebiamos cervejas tarde afora. Jogavamos matrecos e chamavamos nomes uns aos outros. Jogavamos a bola no relvado e eramos perseguidos pelas continuas. Com 20 anos, atencao! Jogavamos com o frisbee e gozavamos com o dono do frisbee. Olhavamos para os rabos de saia e fartavamo-nos de rir com a atencao que as menos abonadas nos dispensavam aqui e ali. Acotovelavamo-nos para cativar a atencao das mais abonadas. Cavalgavamos garanhoes de valores e etica, dispensavamos palavras de ordem em manifestacoes e faixas com slogans contra a ordem estabelecida, e no caminho para a Portugalia usavamos o megafone para dirigir invectivas e provocacoes aos transeuntes. Metiamos os caloiros em cuecas a cantar a plenos pulmoes o seu estado de putaria, e depois bebiamos cerveja e ginginha com eles e faziamos deles os nossos melhores amigos. Passavamos ferias em casa uns dos outros nos intervalos entre exames. Ora chumbavamos ora nos safavamos, saiamos e bebiamos na mesma. Abracavamo-nos ao fim de noites e dias passados juntos num estado de satisfacao normalmente proibido a partir dos 6 anos de idade. Faziamos promessas de amizade eterna entre lacrimejos embriagados e oracoes a Senhora dos Pasteis. Proclamavo-nos pensadores, intelectuais, psicologos de pleno direito. Abriamos blog atras de blog, expunhamos qualquer ideia remotamente coerente uns aos outros.
Escrevo este post depois de dar uma volta pelos meus links e constatar que alguns dos blogs que cito nao sao actualizados ha 3 anos, nalguns casos.
E apercebo-me que ha quase tanto tempo que nao vejo alguns dos seus autores.
Mal volte a Portugal, impoe-se uma Reuniao, daquelas a liceu americano!!

Segunda-feira, Abril 07, 2008

tempo/Tempo

Esta Primavera sonsa prega partidas aos meus sentidos. Acordo com os primeiros raios de sol que espreitam por entre as frinchas das minhas cortinas improvisadas, que me convidam a sair à rua e a respirà-los por inteiro. É um sol que nunca se sente por completo, despido de calor. Brilha com uma força que não espero, mas nunca se oferece completamente porque o vento frio se mete pelo casaco e me rouba todo o conforto. Banha-se-me a cara em luz, mas treme-me o corpo, arrepia-se. Mal se sente a mudança da estação, e o avançar do dia devolve-nos o Inverno de ontem. Acumulam-se novas nuvens, as que mais desejamos terem desaparecido de vez. Zangam-se por este desejo de esquecimento, e vingam-se cerrando-se na escuridão, castigam-nos com cargas ora de chuva, ora de neve. Votam-nos o corpo e alma a este estado misto de incerteza, saudade e confusão. A frieza do ar agudiza-se na pele porque os olhos já a preparavam para o abraço quente do sol. O pensar e o sentir baralham-se, escorrem-se as recordações como areia quente por entre dedos gelados, dormentes. O que vejo e leio, o que me deleita e cativa, entristece e atemoriza, nunca se fixa. A expectativa de reter o que me oferecem páginas e paredes, ecrãs e painéis, é defraudada tal qual a esperança de calor. Sinto a cabeça como um capote oleado, que repele o que quero fixar como repeleria as gotas de chuva que me provocam e torturam a caminho do trabalho. Invade-me um sentimento de inutilidade e desesperança, que culmina com a resignação ao desejo de hibernar. Refugio-me em mim, entre passeios ao ar frio e cortante e batalhas de bolas de neve. Entrecorto momentos de aceitação e regojizo com esta inesperada negação dos prazeres de um Estio precoce que se anuncia mas não se cumpre, e com a saudosa inveja das quentes Primaveras do meu pais. Tantalizam-me as lembranças de tardes de Abril passadas na praia, reforçadas por chamadas e cartas a anunciar o prazer que delas retiram hoje aqueles que ficaram para trás.
Anseio por tempos mais estáveis, mais definidos. Por um Tempo e uma vida mais nítidos, que este tempo nublado e difuso me relembra sempre que não tenho.

Terça-feira, Fevereiro 12, 2008

Damos as maos, enfrentamos a escarpa
Entrelacamos dedos, todos diferentes
Uns feitos de medo e estranheza
Outros de esperanca, de alegria reencontrada

A cada passo, sucede um suspiro
A cada passo, celebra-se uma vitoria
Olhamo-nos, revemo-nos um no outro
Cada passo que damos e menos um que fica por dar

E custosa a subida, tao ingreme a escarpa
As maos apertam, encostamos ombros
Negociamos a encosta a forca de quatro pernas, duas costas

Conquistamos o pico a um so coracao
Aqui, no cimo, iludimos a solidao
Onde havia duas, ha agora uma so mao

Esta solidao nao e mais tao solitaria